Práticas integrativas em saúde

Por Carol Araújo


A medicina natural é uma prática integrativa. Antigamente era chamada de medicina alternativa, mas hoje já tem ações reconhecidas cientificamente e passou a ser um complemento da medicina convencional. Existem várias técnicas e práticas dentro da medicina natural, tais como a homeopatia, fitoterapia e acupuntura.

CERPIS

No Brasil, existe um órgão do governo chamado CERPIS (Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde) onde são feitos atendimentos individuais e em grupos voltados a práticas complementares e integrativas em saúde. É conhecido também como uma mudança de cultura que procura resgatar a sabedoria popular, e o tratamento é voltado para que o corpo do paciente volte a ter equilíbrio.
Em Macapá o CERPIS fica localizado no centro da cidade, trabalha também no tratamento e prevenção de doenças com medicina natural, no qual os usuários são atendidos pelo SUS (Sistema único de saúde). Um método muito conhecido e utilizado é acupuntura, uma técnica oriunda da cultura chinesa que busca harmonizar a energia do corpo e da mente, podendo aliviar e tratar diversos problemas. Essa técnica já tem sua eficácia comprovada cientificamente e deve ser trabalhada por profissionais devidamente qualificados e especializados.
Elziwaldo Monteiro é pós-doutor em dor neuropática a luz da acupuntura e, é o diretor do CERPIS/AP. Segundo ele, para que os pacientes sejam tratados através da medicina natural, para garantir o equilíbrio do corpo e da mente é preciso ter paciência e persistência, justamente para que a qualidade de vida seja atingida. Nesse contexto até a idade é prolongada. 

Dr. Monteiro atua há mais de 20 anos na área 
de tratamento com medicina natural. (Foto: Carol Araújo)

Doutor Monteiro ainda afirma que antigamente as pessoas chegavam aos cinquenta anos de idade e já estavam doentes, mas hoje com todos os tratamentos naturais disponíveis, os indivíduos podem chegar aos setenta anos com saúde, mas, não adianta tratar só com medicamentos, pois segundo o especialista, não resolve o problema. Por isso o CERPIS vem juntando todas as técnicas de acupuntura a outras terapias. “Eu posso dizer que todo aquele paciente que é tratado somente na alopatia ele vai e volta com as doenças e, aquele paciente que é tratado numa integração da medicina natural com a medicina alopática, esse paciente fica bom. E é por isso que a gente diz que a acupuntura e suas práticas integrativas tem um resultado maravilhoso de tratamento. Isso mostra que é um custo benefício muito grande”, diz o diretor.
O especialista enfatiza sobre o uso de ervas e plantas medicinais e diz que falando desse assunto, existem dois momentos, a farmácia viva, que são justamente as ervas e as plantas de uso medicinal e, os fitoterápicos que são desenvolvidos na indústria farmacêutica, logo, todos os remédios alopáticos são oriundos da medicina natural. “Todos vieram através da sabedoria popular. Então, a gente observa que a farmácia viva hoje se resgata no uso do chá, do cataplasma, da geoterapia. A gente vê pela naturopatia  limpeza do corpo”, explica Dr. Monteiro.

Assistência da natureza

         As ervas e plantas medicinais são encontradas no mundo todo. No Brasil são encontradas mais ricamente na região amazônica. Elas também são usadas em tratamento e prevenção de doenças no CERPIS. No setor de assistência farmacêutica é trabalhado o tratamento e prevenção a partir do uso dessa matéria natural. Na região norte é cultural usar plantas e ervas para curar algum tipo de doença ou para alívio de dores, principalmente através de chás, por isso, o setor também presta serviço de orientação quanto a essas práticas tendo em vista que a falta de conhecimento especializado ou o uso em excesso pode afetar o paciente de forma negativa.
A maior demanda do órgão são os idosos e os serviços são voltados principalmente para essa faixa etária. A maioria dos idosos atendidos são poli medicados e a assistência farmacêutica serve como um complemento dos remédios que os pacientes já fazem uso. As farmacêuticas Juliane Espizero e Clea lamarão são responsáveis por ajudar os pacientes e complementar seu tratamento conciliando os remédios do tratamento convencional com as práticas integrativas, tratando o usuário e incentivando-os a ter a sua própria horta para se cuidar com a matéria da terra, da forma mais natural possível.

As plantas e ervas para tratamento, são retiradas da 
farmácia viva do próprio CERPIS. (Foto: Carol Araújo)
 O objetivo de todo esse trabalho é fazer o corpo voltar ao equilíbrio normal dando as condições necessárias para que ele mesmo comece a produzir a sua cura. “Hoje em dia a medicina natural é chamada de integrativa e complementar porque quando chega um paciente de um tratamento convencional, de hospital, ele vem para cá com muitos medicamentos. Em alguns casos os próprios pacientes pedem os medicamentos, porque querem aliviar a sua dor, para ter uma melhora mais rápida, então aqui, nós não vamos tirar esses medicamentos e fazer o tratamento natural, nós vamos complementar. Aos poucos vamos integrando dentro do tratamento que está fazendo de maneira convencional com as nossas práticas”, afirma a farmacêutica Juliane. 
De Acordo com a Clea Lamarão, já aconteceu de os pacientes se sentirem tão aliviados com as práticas integradas ao seu tratamento que, por sua própria escolha, deixaram de tomar a gama de medicamentos que lhes foram indicados por sentirem que seu corpo já alcançou o equilíbrio normal. “É uma cura específica mesmo, vai direto à doença, no local onde precisa ser curado e não aliviando os sintomas, como é o caso dos tratamentos convencionais”, conclui Clea.
Algumas terapias com plantas e hortaliças são realizadas pelo departamento de naturopatia, que é composto por grupos semanais e, para cada grupo é desenvolvido uma atividade que ensina o paciente a fazer um suco verde ou vermelho, um chá ou uma torta, para que a partir de sua alimentação ele também tenha qualidade de vida e possa prevenir algumas doenças. Só no mês de setembro de 2019, o CERPIS fez mais de doze mil atendimentos nas áreas de acupuntura, trofoterapia, auriculoterapia, entre outros dos mais cinquenta tipos de terapias ofertados.

O CERPIS tem uma área reservada para cultivo 
de plantas e ervas medicinais. (Foto: Carol Araújo)

Tratamento para um organismo saudável 

A eficácia do uso da medicina natural tem sido muito pesquisada. Ana Pires é especialista em medicina natural e técnica em reabilitação em dependências químicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A especialista sempre pesquisou tratamentos alternativos, mas, usava somente para tratar seus familiares. O interesse por esse ramo surgiu quando ela morava no município de Porto Grande, no Amapá, onde conheceu um garoto que, de acordo com os médicos, sua doença não tinha cura. Ana decidiu cuidar do garoto com os conhecimentos que tinha sobre medicina natural e, ao longo de três meses de tratamento, ele ficou curado.

A pesquisa de Ana em medicina natural 
já dura mais de vinte e cinco anos. (Foto: Carol Araújo)

Já com conhecimentos os científicos e especializações, ela iniciou oAna Spa, no centro de Macapá, há oito anos. Lá ela cuida dos pacientes através dos métodos da medicina natural, usando plantas medicinais, através dos chás, sucos e remédios, prevenindo e tratando doenças e, principalmente incentivando a alimentação saudável, com o restaurante vegano e vegetariano, para equilibrar o organismo e fortalecer o corpo.  A especialista diz que a medicina natural sempre trabalha junto á medicina alopata, pois as vezes a alopatia precisa intervir para salvar vidas, para tirar uma pessoa da crise. “A proposta é um trabalho de prevenção. Diferente da medicina alopata que cuida da doença, a nossa proposta não é cuidar da doença das pessoas, é cuidar da saúde, para que as pessoas não adoeçam, para que elas sejam saudáveis”, afirma.
Quando a pessoa chega doente ao Spa, ela passa por uma série de terapias junto a medicina alopata e a grande maioria encontra a cura e a saúde. Ana ainda ressalta que a mudança de hábitos, atitudes, estilo de vida e reforma na saúde são fatores que influenciam para que o indivíduo não adoeça. Um dos métodos utilizados por Ana é a aromaterapia que, tem o intuito de melhorar o bem-estar físico e psicológico do ser humano, técnica que usa óleos essenciais puros, tirados em natura das plantas, das flores ou das folhas, como o óleo de flor de laranjeira e meta piperita.
No Spa também existe o espaço onde as plantas medicinais são cultivadas. Ana conhece cada uma das plantas desse espaço e os benefícios delas, tanto para tratamento como para prevenção, como a moringa, por exemplo. A especialista fala da função nutritiva que a planta tem. “A moringa tem sido muito importante para o nosso trabalho porque ela tem mais vitamina C do que a laranja, ela tem mais vitamina A do que a cenoura, ela muito rica, a nutrição dela é muito grande”, diz Ana.
A moringa é usada em natura nos sucos 
verdes, no Ana Spa, no combate a diabete. (Foto: Carol Araújo)
            A medicina natural, apesar de ser também um conhecimento de antepassados e usados pelas pessoas como conhecimento popular, é preciso cuidado e atenção para não ocorrer o excesso.  Os tratamentos naturais são práticas complementares e integrativas a medicina convencional e devem ser utilizados a partir de acompanhamento médico ou farmacêutico. 

Catraia

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